noite real

uma noite passada na monarquia aqui ao lado 🙂 e realmente divertida

já há alguns anos que não íamos ao Festival de Teatro Clasico (a Rita divertiu-se com a palavra castelhana que julgou ser uma gralha) de Alcántara, pueblo de pequenas dimensões mas grandes tradições e recheado de monumentos impressionantes que revelam a importância do local em épocas de disputa territorial

aliás, o próprio nome da localidade, Alcántara, de origem árabe e que significa “a ponte”, revela claramente que aí existia um ponto de passagem entre…bem, um lado e o outro do rio Tajo, mas que em tempos foi entre uma margem romana e outra lusitana*, entre uma margem moura e outra cristã, entre uma margem portuguesa e outra castelhana…

depois de cruzada a ponte, magnífico exemplar, construído no séc II (2!) e reconstruído e destruído em todas as ocasiões que o poder mudava de margem**, nós também fizemos a nossa passagem para um momento de descontração, que muito precisamos, nestes dias que vivemos

primeiro fizemos um piquenique e uma sessão de fotos, porque o local convida, aproveitando o brilho natural de quem por lá andava 🙂

mas o vento era tal que as almofadas tiveram que ser atadas à cintura para que não voassem, e os copos, os pratos e os guardanapos depressa se escapavam…por isso comemos a voar, e não a correr 🙂

depois acompanhámos o pasacalles, atividade de abertura oficial das festividades, que nos levou (a nós e aos saltos altos da mãe e da filha mais velha ) pelas ruas calcetadas com seixos do rio :(, atrás de um grupo de palhaços tamborileiros, cheios de graça e muito ritmo, até finalmente chegar ao recinto do teatro, o Conventual de S. Benito, ou mais propriamente, aos claustros do monumento, em frente dos quais se instala o palco e que servem de bastidores

o ambiente era exatamente aquele que precisávamos…tranquilo, ameno e descontraído ou não estivéssemos em Espanha em pleno Agosto 🙂

e para nos recordar que estávamos numa monarquia, o pregonero*** do Festival foi D. José Miguel Carrillo de Albornoz y Muñoz de San Pedro, Visconde de Torre Hidalgo, ora pois!

a peça**** foi jocosa, afinal era uma comédia do séc. XXVII, e a noite foi muito agradável…a não ser para a jovem hobbit de unhas azuis turquesa que se ressentiu do uso intenso dos saltos altos, agravio (dos sapatos) que logo se resolveu até porque é verão e ali ninguém nos conhecia 🙂

no fim, bem, acabou…e de novo cruzámos a ponte e voltámos à realidade, na nossa margem que, realmente, é depois do rio Erges, na localidade de Segura 🙂

*os romanos conquistaram aquela parcela de território aos Seanos, habitantes de um castro local
**diz a História que em 1475 quando os castelhanos decidiram destruí-la para evitar que Afonso V a cruzasse, o rei português salvou a ponte, mandando dizer ao inimigo que desse a volta, pois “não queria o reino de Castela com aquele edifício a menos” 🙂
***quem abre oficialmente as festas
**** “Dónde hay agravios no hay celos”

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3 pensamentos sobre “noite real

  1. O Francisco, o teu sobrinho irrequieto e impaciente (naquela idade), foi lá com 3 anos e esteve com uma atenção sobre tudo o que acontecia. Viu o Avaro de Molière com a dignidade que a peça merecia.

    Temos que combinar a ida a Alcântara, troco por um Stº António em Lisboa.

    Beijinhos .-)

  2. Conheço bem o local, e tenho nos meus planos ir um ano assistir ao festival. A ponte realmente é muito bonita e todos os monumentos da povoação estão bastante bem conservados. Muito boa escolha … continuação de boas férias.

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