seara de ervilhaca

este artigo, por incrível que pareça, e apesar de ter uma leguminosa no título, ou seja, apesar de ter um alimento como referência NÃO CONTÉM NENHUMA RECEITA DA BIMBY!

por isso se veio ao meu blog procurar alguma das minhas partilhas culinárias feitas na, já tradicional cá em casa, máquina, não vale a pena continuar a ler 🙂

este artigo é  sobre uma tradição açoriana que passou para a família durante os 12 anos em que vivemos em S. Miguel nos Açores

ter vivido entre os 5 e os 17 anos nos Açores, apesar de ter nascido bem longe de lá, fez com que as tradições locais se tornassem minhas, tal como as recordações de infância que guardo com carinho tenham todas sotaque de sanmeguél*….de tal modo que, quando me perguntam de onde sou, respondo que se sou de alguma parte sou dos Açores, apesar dos meus genes beirões

mas voltando à ervilhaca, leguminosa que serve sobretudo como forragem e que não uso noutra altura do ano a não ser nesta época, é tradição nos Açores plantá-la por volta do início do mês de dezembro e em particular no dia santo da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal….planta-se no início do mês e vê-se crescer, dia a dia

mas não é só nos Açores que se cumpre esta tradição; em várias regiões do país ainda há quem faça altarinhos ao Menino Jesus, em que são colocados pequenos vasos onde  rapidamente se desenvolvem verdadeiras e viçosas searas ou cabeleiras de cereais ou leguminosas**…

na minha casa açoriana, na rua Tavares Canário nº 22, hoje era o dia de plantar ervilhaca e ir ver as montras natalícias***; a minha morada mudou, mas a tradição continua, graças sobretudo à minha mãe que me aparece por cá neste dia com um saquinho de terra e um punhado de grãos de ervilhaca 🙂

e um ano mais, arranjei um “vaso”, pus-lhe terra, espalhei os grãos e humedeci a mistura; depois fui depositar a obra aos pés da Nossa Senhora de feltro do meu presépio, que aquece o Menino perto da lareira…agora é só esperar para ver crescer o Natal 🙂

*S. Miguel 🙂
**ligadas às celebrações dos ciclos naturais a lembrar que já na Antiguidade as mulheres da Frígia as semeavam por alturas especiais, levando-as em recipientes a germinarem ao sol, para ficarem verdes, enquanto entre nós, se apresentam, por vezes, esbranquiçadas, devido à germinação ter o seu processo em local sem luz (In “Festas e Tradições Portuguesas”,Vol.II, Ed. Círculo de Leitores)
*** outra tradição micaelense

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